Achava que jamais voltaria a este blogue novamente, mas bastou uma discussão desimportante há pouco e estou escrevendo. Como diz uma amiga, eu sou muito previsível. Mas não tão previsível a ponto de escrever "Por que as pessoas são assim?" e responder a pergunta...
Depois de quase três meses sem postar e sem concluir o relato da eletrizante viagem (mentira), um leitor aleatório só teria uma certeza, a de que eu morri. Ou isso, ou estava em Guantánamo. A verdade é que eu desanimo muito fácil com as coisas. Aos "completistas": gostei de Nova Iorque, o que me surpreendeu.
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Nesse intervalo de tempo, gostei do trecho de uma reportagem sobre a Lana Del Rey (!) no
Estadão, na qual o autor faz uma associação com o Tumblr (!).
Talento à parte, é inegável que Lana consegue, como poucos, absorver o espírito da internet. Para a jornalista Diane Lisarelli, da francesa Les Inrockuptibles, ela é síntese perfeita do autorretrato numérico, ou seja, a geração que "se esforça em se mostrar na internet pelo seu melhor ângulo, fantasiando-se como um personagem. "A palavra mágica aqui é "redes sociais". Como a juventude que acessa às novas ferramentas da web, Lana faz tudo sozinha: não apenas compõe, como ainda monta os próprios clipes, uma colagem caseira e um tanto pueril que mistura ao acaso imagens heterogêneas. Às suas caras e bocas, que poderiam ter saído de qualquer fotolog adolescente, somam-se cenas icônicas do velho Hollywood, polaroides antigos e outros planos difusos filmados em super 8. Uma acumulação de fetiches e clichês, que traduz com perfeição a estética do Tumblr, um microblog de compartilhamento acessado principalmente pelos mais jovens.
"O Tumblr é um contraponto ao twitter, porque é uma cultura do distanciado, não do que está acontecendo no momento", explica Henrique Antoun, professor da Eco/UFRJ e membro do Ciberidea - núcleo de pesquisa em tecnologia, cultura e subjetividade. "Serve como um direcionamento de imagem e cultivo de personalidade a partir de fetiches, como se a pessoa criasse uma síntese de si mesma a partir do que ela guarda e compartilha. Funciona como um diário íntimo e nostálgico de um passado que as pessoas que usam o Tumblr sequer viveram."
Eu assino os rss de um bocado de Tumblrs, mas jamais tive vontade de ter um, assim como evito o quanto posso o contato com o facebook e suas insígnias do tipo "estou interessado em: Mulheres" e "Adele". Fico impressionado com o fato de que blogues como este aqui, eminentemente narrativos (e declaradamente ridículos), tornaram-se datados. Dez anos são a eternidade na internet.
À exceção do twitter, que eu adoro, as ferramentas do começo do século me atraem bem mais do que as mais recentes. Acho que aquilo que disseram, de que o gosto musical se define aos 23 anos, vale para quase tudo na vida. É por isso que tenho extrema simpatia por sites de html tosco com egotrips de dez parágrafos. Uma pessoa é a soma de suas nostalgias ridículas...