A vinda a Chicago demorou para ser planejada, já que essa viagem, originalmente, se resumiria apenas a Nova Iorque e San Francisco. No entanto, minha ex falou muito bem da cidade enquanto eu fazia meus planos e o editor do Scream & Yell, tempos depois, na viagem que fez neste ano, considerou a cidade a melhor entre as que ele visitou nos Estados Unidos. Assim, acabei incluindo a cidade no roteiro sem ter muita certeza do que iria fazer ou ver aqui. Fui bastante negligente com o planejamento dessa parada da viagem, a ponto de só rever qual era e onde estava meu hotel ao chegar ao aeroporto. Por sorte, digamos, ele fica bem próximo ao Millenium Park, numa região bem central, o que facilitou bastante os deslocamentos, idas a pontos turísticos etc. E a cidade é bem bonita e me satisfiz bastante enquanto andei por ela. Tive que me conter em alguns momentos e parar de olhar para cima, para ver como, ui, a skyline é uma coisa bonita de ver. Lamento apenas não ter tido tempo para visitar o Art Institute e o Field Museum. Foi uma escolha. Posso afirmar, todavia, que comi no Pierogi Heaven, o que certamente contribuirá para minha fama de viajante esquisitão.
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Hoje, que seria o dia da ida aos museus, fui acometido pela loucura e aluguei uma bicicleta. Confiarei na palavra de meu biógrafo e não questionarei a informação de que não pedalava desde 1997. Pode ser.
Aquela história de que uma pessoa não desaprende a pedalar é verdade, felizmente. Mas não levei em consideração minha provecta idade e meu sedentarismo militante na hora de planejar meu itinerário... Há uma ciclovia que margeia o lago por 18 milhas e decidi pedalar por ali. Aluguei a bicicleta na metade do percurso e rumei ao norte, até o fim. Depois voltei, passei pelo ponto inicial e pedalei mais 4 milhas além dele. Até que finalmente pensei "não vai dar certo", parei e, a muito custo, voltei para o quiosque no qual aluguei a bicicleta. Tenho até medo de calcular o quanto percorri.
Naturalmente, fui num ritmo não muito devastador. Em certo momento, quando já estava quase vencido pelo cansaço, fui ultrapassado por uma mulher que empurrava um carrinho de bebê enquanto corria. Foi um dos dez momentos mais humilhantes da minha vida, mesmo considerando a acirrada concorrência. Não é algo muito digno de registrar, mas talvez isso seja um incentivo para voltar a praticar exercícios...
No caso específico das bicicletas, o problema é: como pedalar em São Paulo? Não gostaria de fazer parte da ala masculina das Pedalinas, ou seja lá o nome desse grupo de mulheres que pedalam. Nem vou falar do relevo paulistano, que é bem pouco propício ao ciclismo, e do gentil tráfego paulistano. A descrição do acidente daquela ciclista que teve a cabeça esmagada pelo pneu de um ônibus na Av. Paulista é suficiente para me dissuadir de qualquer coisa.
É uma conclusão meio cínica, de certo modo, e um tanto apressada porque estou com sono, mas Chicago me fez perceber o quanto me contento com pouco em São Paulo no dia a dia.
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Ah, sim! Os brasileiros. Acho que não passou um dia sem que eu ouvisse um. Ontem havia um sujeito com a camisa do flamengo no lobby do hotel. Coitado.
Eu me mantenho de boca fechada. Hoje, na Willis Tower, na única coisa que me dispus a fazer depois do exercício mencionado acima, havia uma horda de brasileiros de meia idade, quatro mulheres e dois homens. Sério: eram as pessoas que falavam mais alto no lugar. No 103º andar do prédio, de onde se tem a vista panorâmica da cidade, há uma espécie de caixa feita com algum material transparente e que se estende para fora do prédio. As pessoas, claro, aproveitam para deitar na caixa e tiram fotos e mais fotos, como se flutuassem no vazio.
E lá foi a brasileira, uma senhora de uns 50 anos... Deitou na caixa e imediatamente começou a berrar: "Ah! Eu vou cair! Ah! Eu vou morrer!", por um longo minuto. Eu olhava para a cara das pessoas ao redor e só posso descrever o sentimento delas com a seguinte palavra: "consternação".
Passada a histeria, ela comentou: "Ah, vamos para o Starbucks. Preciso de um café e de um bolo depois disso tudo."
Evito.