A viagem a San Francisco coincidiu com o momento em que passei a ouvir muito '505', dos Arctic Monkeys, que começa assim:
I'm going back to 505
If it's a seven-hour flight or a 45-minute drive
In my imagination you're waiting lying on your side
With your hands between your thighs
Há músicas que só fazem sentido depois de um tempo... Mas a verdade é que estou no 310, não no 505, quatro dias após uma viagem de 17 horas, não sete, e, claro, não há ninguém esperando por mim com as mãos entre as coxas, mesmo na minha imaginação.
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É bom sair sem muitos planos no dia seguinte à chegada a um lugar desconhecido. Você descobre coisas. No primeiro dia, tudo é surpreendente e meio assustador (protip: jamais ande pelas primeiras quadras da Turk St). No segundo, você já tem uma base para fazer o trabalho duro (no meu caso, foi a ida à Golden Gate Bridge, o segundo lugar com a maior média anual de suicidas no mundo). Do terceiro dia em diante, já dá para chamar a cidade de 'minha nega' e saber bem aonde se está indo.
No primeiro dia, eu seguia na direção em que supostamente a Chinatown daqui se encontrava (estava indo para o lado errado...), quando uma velhinha se aproximou de mim e travamos o seguinte diálogo:
- Amigo, today is saturday, isn't it?
- No, it's sunday.
- Oh, no! Then the bank is closed today!
- I think so.
Aos olhos azuis da velhinha, eu sou um latinão. Na verdade, sempre me achei com cara de árabe, talvez por causa do nariz grande... Mas eu quis ser negro naquele momento para que ela me chamasse de 'bro'.
Depois vi que há alguns bancos abertos no domingo. Como falei, você descobre coisas.
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Nunca fui a um starbucks porque tenho receio de ser chamado de 'hipster', algo que obviamente não sou. Eis um post enroscado há meses, desde bem antes da viagem, mas sempre fiquei com preguiça... Iria contar que um dia, no Center 3, fiquei com vontade de tomar café, comparei as pessoas que estavam sentadas às mesinhas da ofner (é a doceria de lá, não é?) e do starbucks, cafeterias contíguas. De um lado, havia velhinhas, famílias inteiras e casais de namorados. Do outro lado, pessoas e seus respectivos telemóveis e/ou livros. Café de doceria é uma porcaria, já diria a rima, mas não tive escolha... Só depois notei que também havia um Café do Ponto lá.
Enfim, o público das unidades paulistanas é a própria caricatura hipsterista. Aqui é pior. Ou melhor, não sei. Existem hipsters, mas pessoas normais também frequentam a rede. Tantas, que tenho a impressão de que o país pararia se os starbucks fechassem por algum motivo. Sério, impressionou-me como todo mundo sai às ruas com seu copinho.
Fez muito sentido aquela recriação da Estátua da Liberdade em GTA IV, que a mostra com o sorriso maníaco de Hillary Clinton e um copo térmico no lugar da tocha. A Estátua da Felicidade.
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Achei que não gostaria de San Francisco, mas me enganei. Há muita coisa que não deu tempo de ver e lamento não poder ficar mais tempo por aqui... Meus pés estão trucidados por bolhas. Los Angeles certamente será menos divertida.
Faltou falar da Amoeba, dos muitos chineses, de Alcatraz, dos jogos de futebol americano e baseball, do cha cha bowl, do restaurante tailandês, do sanduíche vietnamita, do mendigo que me gritou 'fuck you!' e do fato de quase ter sido deportado por não saber como se diz 'Câmara Municipal' em inglês (mentira, eu sei, mas estava tão transtornado com a viagem que não me fiz entender), entre outras coisas. Fica para outra vez.