Durante os últimos dias, tive que escolher entre a leitura aleatória de verbetes
deste livro, os "1001 jogos que se deve jogar (perdão pela redundância) antes de morrer"*, e o estudo de alguns ensaios chatíssimos do Max Weber para a faculdade (prevejo dias difíceis...). Não é difícil saber qual foi minha opção.
As críticas ao livro na Amazon não foram muito positivas e concordo em parte com elas. Há um monte de falhas. Battletoads? Um Mega Man de 8 bits que seja? Metroid? Não há nada (ainda estou em 1994... vi também que não há Ico, um absurdo!). E são 1001 jogos! Como pode?** Em compensação, com certo exagero, há quase todos os jogos lançados em 2009... Não sou nenhum saudosista, mas acho que, mesmo com as limitações técnicas, há uma porção de jogos antigos que se sustentam até hoje (e que merecem ser jogados antes de morrer). E há muita porcaria lançada para esta última geração de consoles.
Folhear o livro tem sido bom para reavivar algumas memórias. Na década de 1990, especialmente na primeira metade, minha vida era praticamente voltada aos jogos eletrônicos. Quase chego ao ponto de afirmar que me tornei o que sou por conta deles (uma afirmação passível de várias interpretações). O livro também tem servido para preencher algumas lacunas. Ontem mesmo baixei um emulador de SMS e joguei Alex Kidd in Miracle World até o final (coisa que nunca havia feito).
Que se dane Max Weber, não é mesmo?
Falando agora de livros "sérios", finalmente terminei de ler Solar. Carreguei o volume por três meses, mas sempre o preteri por outras leituras ou coisas. Nunca estive tão desconcentrado para ler. Solar é um Ian McEwan "leve", cujo tom achei parecido com o de Amsterdam. A tradução, porém, incomodou-me um pouco. Sei que é leviano falar qualquer coisa do tipo sem comparar o exemplar brasileiro com o original (algo que não pretendo fazer), mas a obsessão por alguns termos me pareceu bastante estranha. A palavra que mais me perturbou foi a que serve de título a este post, que apareceu umas vinte vezes no livro todo. É algo que soa muito artificial aos ouvidos. Outra foi "malgrado". Toda hora. Eu não entendo muito bem as opções dos tradutores (e talvez por isso não seja um...).***
Notas? Sério?
* Pela segunda vez na minha vida, recebi um pacote da Amazon embrulhado num saco de lona (o motivo foi ter comprado o guia citado e
estes livros, cinco quilos no total). Sempre causa uma sensação no prédio quando isso ocorre. O porteiro e as pessoas que vivem na portaria (sério, eu não consigo entendê-las) olhavam para mim como se eu fosse sacar uma criança de dentro do saco. Note ainda que o preço da caixa com os dois volumes do Umberto Eco é equivalente ao preço de apenas um deles na edição brasileira (que está uns cem reais agora, mas já esteve bem mais caro).
** Da série "1001", eu tenho as edições brasileiras dos livros e dos discos. Perderei centenas de leitores ao afirmar isso, mas eu adoro essa série (pretendo comprar o dos filmes quando estiver barato).
*** Houve recentemente aquela
celeuma a respeito da tradução do "Como funciona a ficção", lançado pela Cosac Naify. Por essa razão, combinada ao tradicional preço abusivo (de novo: não entendo a razão de se publicar livros na edição mais luxuosa - e cara - possível), estou pensando em comprar o original (para lê-lo em 2020, ao que parece).**** Mas não sei se meu inglês dá para o gasto. Em todo caso, imagino que haverá a mítica feira do livro da USP Leste no mês que vem e talvez eu compre a edição controversa mesmo.
**** Reclamo de falta de tempo para ler, mas na semana passada, durante um surto, pensei seriamente em comprar um Kindle. A princípio, achei que valeria a pena; logo depois, a quantidade de impostos e o processo contínuo de obsolescência desse tipo de traquitana me fizeram decidir que ainda não é a hora. Embora, ou melhor, conquanto eu seja um
late adopter de carteirinha, acho que já se chegou a um momento aceitável para a compra (seria ótimo para ler PDFs e economizar no frete das edições importadas).