Nem tanto.
A maior parte de minhas decisões não é muito pensada. Se o passado pudesse ser revisitado, eu não teria tantos problemas para achar o momento
t em que tomei de supetão alguma decisão relevante (quase sempre ao desistir de algo) e consequentemente mudei minha vida. Ter o poder de decidir o próprio caminho, mesmo no caso de alguma demanda irrelevante, é sempre agradável e um tanto subestimado.
Hoje, por exemplo, acordei muito cedo, algo que tem ocorrido com frequência desde que fiz a tal viagem ao Nordeste (no próximo post?), e imediatamente pensei: "Não vou ao show de hoje do LCD Soundsystem!". Daqui a dez anos, eu certamente me lembrarei do exato momento em que estava sentado na cama e tomei esta decisão.
Era um show que eu queria ver. Em tempos passados, eu provavelmente iria a contragosto, "para não perder o dinheiro", ou simplesmente rasgaria o ingresso e me cobriria de infâmia. Mas hoje decidi exercitar todo meu traquejo social, e preciso dizer que tal atitude foi um grande sucesso. Recuperei o dinheiro do ingresso e me comportei como uma pessoa extremamente afável, um digno membro da sociedade. Que orgulho! Que valor!
(E saiu o disco do Radiohead, mas nem o escutei direito ainda. O que ouvi não me pareceu muito bom. Meh. Dias atrás, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas dispostas a pagar 49 dólares pela edição especial do álbum, do qual não se sabia sequer a quantidade de músicas. Tendo alcançado há pouco a meia-idade, já consigo evitar com certa facilidade tal deslumbramento.)