O trocadilho é besta. O post, também. A grande dúvida deste final de ano é quando 2010 irá finalmente terminar. Sim, porque dezembro tem parecido infindável. Um otimista diria que se viveu demais nesse ano.
Pobre otimista.
Listinhas:
- Melhor livro.
2010 foi o ano em que provavelmente comprei mais livros até agora. E certamente foi quando li menos. Após duro exercício de memória cheguei aos 12 livros lidos, excetuando-se os quadrinhos e os de direito. Fica até difícil escolher um bom livro porque li pouco e não foram raros os desapontamentos. A escolha óbvia é Pornopopéia, mas ainda estou muito encantado com o livro, com os risos que dava a cada par de páginas e tudo mais. O que mais me fez pensar foi O Tio Petros e a Conjectura de Goldbach porque me relembrou minha trajetória um tanto conflituosa com a vontade de estudar matemática ("Eu amo você, mas não estamos destinados um ao outro"). O livro ainda me fez pensar em obsessões, algo que me aterroriza. Um complemento perfeito, aliás, é
este texto da Piauí do começo do ano (um dos melhores da revista).
Menção honrosa: Difícil, viu? Talvez os do Pedro Mexia no começo do ano, Nada de Melancolia e Nada de Dois, que me salvaram do tédio aeroportuário em momentos distintos.
- Melhor quadrinho.
Tenho a impressão de que li Asterios Polyp neste ano. Se é assim, não há qualquer concorrência possível. É meio tonto dizer isso, mas me identifiquei demais com o protagonista. Não é uma coisa muito boa para se dizer... E nem vou falar da arte, do enredo etc.
Menção honrosa: Memória de Elefante. Até que enfim alguém fez uma graphic novel longa sobre como é viver em São Paulo neste, ui, começo de século. Eu não acho a arte um primor, mas gosto da história, das apresentações das personagens e de como o Caeto acrescenta elementos à narrativa sem recair no coitadismo típico das histórias autobiográficas. Abro uma exceção para falar das decepções. O volume final de Scott Pilgrim é bem ruinzinho. E não gostei de Cachalote (acho que as fragmentações excessivas só escondem as fragilidades do roteiro). Nos dois casos, esperava mais.
- Melhor filme.
Vício frenético. Óbvio. O encontro do
maior ator vivo com o
maior diretor vivo.
Menção honrosa: Greenberg (estou usando muito o princípio da "identificação"; vou parar). Fora isso, foi um ano bem fraquinho.
- Melhor jogo.
Red Dead Redemption me pegou pelo final. Quando vi o que iria acontecer, só pude dizer "Não não não...". Devastador.
Menção honrosa: Super Street Fighter IV e Fifa World Cup 2010 mataram muitas horas noturnas. Olhando de longe é meio patético. De perto, completamente.
- Melhor webcomic.
Hark a Vagrant. Adoro os desenhos da Kate Beaton e o senso de humor meio tongolino. E os olhos das personagens? O segredo está todo lá. E, ainda por cima, há quem diga que ela é uma
gostosa que se acha gorda. Eita.
Menção honrosa: Nada de muito honroso por aqui. Meus heróis morreram de overdose. Uma boa surpresa foi
Gunshow, mas parece que acabou. E preciso citar uma série do Laerte (nitidamente de saco cheio em 2010) de 2009,
essa. Voltei a ela em dias aleatórios deste ano só para ver de novo, de novo e de novo. Como sou bobo.
- Melhor álbum.
Ano complicado, hein? Comprei alguns CDs, mas foi apenas um impulso "completista". Fico com o High Violet, do The National.
Menção honrosa: Halcyon Digest, do Deerhunter. Fora isso, umas músicas aqui e ali de vários autores.
- Melhor blogue.
Futility closet. Erradicou vários momentos de tédio durante o ano (até dos posts sobre xadrez eu gosto). Aproveitando a deixa, peço que alguém me explique
isto e salve minha vida da perdição.
Menção honrosa: (Vou citar o blogue do
André Barcinski e os leitores vão pensar que estou sendo irônico, mas a verdade é que não estou! Mas eles não precisam saber disso... Não, melhor não.)
Ano difícil, leitores!
- Melhor partida de futebol.
Uruguai e Gana, sem nenhuma dúvida. O segundo tempo da prorrogação e os penais foram inacreditáveis. Se aquele jogo se tornasse um filme, os críticos certamente diriam que o enredo é inverossímil.
Menção honrosa: Aqui há várias menções a fazer. Há o segundo melhor jogo do ano, Santos
3x4 Palmeiras. Épico. Há o único jogo do Palmeiras que vi no estádio neste ano, contra o Vasco. 0x0 e uma partida ruim de doer, que nem merece link. E há um insuspeito Barcelona
2x1 Málaga. Primeiro jogo num estádio em que não fui revistado (imaginava que seria bem mais rigoroso, mas não), não torci para nenhum time (na verdade, torci para o pobre do Málaga, que estava em 12º lugar no Espanhol à época deste jogo e quase terminou rebaixado no final da temporada; eu trouxe azar aos malaguenhos) e sentei-me ao lado de pessoas do leste europeu que fumavam sem parar (mas não me pergunte que idioma falavam). Foi uma experiência antropológica interessante.
- Piada do ano.
Qual é o xingamento preferido do jurista alemão?
BGB.
(...)
Menção honrosa: Aqui há várias candidatas. Há o Palmeiras, a seleção brasileira, o time do centernada, minha assiduidade na academia e na faculdade, o blogue, o leva-e-traz afetivo e longo etc. Mas fico mesmo com meu sistema digestivo, que me causou vários aperreios no ano (a saber: durante uma viagem, antes de um seminário importante na faculdade, antes de encontrar pessoas diversas, no natal... e o ano ainda não acabou). O pior é que, a essa altura, nem dá mais para dizer que morrerei jovem (alguns diriam que aí reside a piada).
- Epifania do ano.
Muito estranhas, minhas epifanias. Sempre a coisa do "O que estou fazendo aqui?". Essa foto do começo do ano ilustra o que quero dizer:

Bom, também percebi que sou o pior fotógrafo do mundo. Não é uma grande epifania.
Menção honrosa: Primeiro dia na nova faculdade (na terceira semana de aula...). Sou claramente o mais velho da turma e o único homem que não raspou a cabeça. Daí veio o flash: "Cruzes! Estou fazendo direito!". Só pude me lembrar de um amigo que largou a São Francisco porque não queria usar gravata (os motivos devem ter sido outros, claro). Foi estranho. Depois, em apresentações devidas, vários calouros me perguntavam quantas matérias eu havia reprovado...
E foi isso. 2011 será pior, tenho certeza.